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Se você já sabe que precisa fazer o TOEFL iBT e começou a estudar, vale parar alguns minutos para entender como a nota funciona, porque isso muda bastante o que faz sentido treinar nas próximas semanas.

Em janeiro de 2026 a prova abandonou aquele número de 0 a 120 que todo mundo conhecia e passou a dar, para cada parte, uma nota de 1 a 6 que conversa direto com os níveis do CEFR, os mesmos A1, B2 e C1 que aparecem nos editais brasileiros. Neste artigo eu explico essa escala, mostro a tabela oficial que converte a nota nova na antiga, conto quem corrige cada parte da prova, traduzo os critérios que a ETS usa para separar uma nota da outra e respondo se dá para você avaliar o seu próprio material sozinho.
Se você chegou aqui por um motivo específico, use o atalho:
- Seu edital pede B2 ou C1 e você quer saber qual nota equivale: a tabela está logo abaixo, e a resposta curta é 4,0 para B2 e 5,0 para C1.
- Seu edital ainda pede uma nota de três dígitos, do tipo 90 ou 100: a ETS publicou a conversão oficial, e ela também está aqui.
- Sua nota decepcionou e você pensa em pagar a revisão: tem seção em que esse dinheiro vai embora à toa e tem seção em que vale a pena, e os números da própria ETS mostram qual é qual.
- Você tem medo de que o seu sotaque atrapalhe: o sotaque não aparece em nenhum critério oficial, enquanto hesitar e travar aparecem em todos.
A escala de 1 a 6
Cada uma das quatro partes recebe uma nota de 1,0 a 6,0, de meio em meio ponto, de modo que as únicas notas possíveis são 1, 1,5, 2, 2,5 e assim por diante até o 6. A nota geral sai da média simples dessas quatro, arredondada para o meio ponto mais próximo, e nenhuma parte pesa mais que as outras: leitura vale exatamente o mesmo que fala.
Por dentro, cada parte tem um número diferente de pontos disponíveis antes da conversão, e isso costuma confundir quem olha o relatório pela primeira vez.
| Parte da prova | Pontos antes da conversão | Nota final |
|---|---|---|
| Leitura | 0 a 35 | 1 a 6 |
| Escuta | 0 a 35 | 1 a 6 |
| Escrita | 0 a 20 | 1 a 6 |
| Fala | 0 a 55 | 1 a 6 |
| Geral | 145 | 1 a 6 |
Esses números da coluna do meio não significam que fala vale mais do que escrita, e sim que cada parte tem uma quantidade diferente de tarefas e de itens. Depois da conversão, todas chegam à mesma escala de 1 a 6.
Qual nota equivale a B2? E a C1?
Esta costuma ser a dúvida que trouxe a maioria das pessoas até aqui, porque o edital quase sempre pede o nível do CEFR e não a nota do TOEFL.
| Nível do CEFR | Nota no TOEFL |
|---|---|
| C2 | 6 |
| C1 | 5 ou 5,5 |
| B2 | 4 ou 4,5 |
| B1 | 3 ou 3,5 |
| A2 | 2 ou 2,5 |
| A1 | 1 ou 1,5 |
A equivalência é a mesma para cada parte e para a nota geral, então, se o seu programa pede B2, você precisa chegar a 4,0, e se pede C1, precisa de 5,0.
E a nota de 0 a 120?
Era a escala usada até janeiro de 2026, quando a ETS fez a troca. Ela não sumiu de uma vez, e isso é importante para quem está se candidatando agora: durante dois anos o relatório de notas vai trazer as duas escalas lado a lado, com a nota antiga calculada a partir do ponto médio da faixa equivalente.
A própria ETS publicou a tabela de conversão, que está na página oficial sobre a mudança de escala. Traduzi o essencial dela aqui.
| Nota nova | Leitura (0 a 30) | Escuta (0 a 30) | Escrita (0 a 30) | Fala (0 a 30) | Total (0 a 120) |
|---|---|---|---|---|---|
| 6 | 29 a 30 | 28 a 30 | 29 a 30 | 28 a 30 | 114 ou mais |
| 5,5 | 27 a 28 | 26 a 27 | 27 a 28 | 27 | 107 ou mais |
| 5 | 24 a 26 | 22 a 25 | 24 a 26 | 25 a 26 | 95 ou mais |
| 4,5 | 22 a 23 | 20 a 21 | 21 a 23 | 23 a 24 | 86 ou mais |
| 4 | 18 a 21 | 17 a 19 | 17 a 20 | 20 a 22 | 72 ou mais |
| 3,5 | 12 a 17 | 13 a 16 | 15 a 16 | 18 a 19 | 58 ou mais |
| 3 | 6 a 11 | 9 a 12 | 13 a 14 | 16 a 17 | 44 ou mais |
| 2,5 | 4 a 5 | 6 a 8 | 11 a 12 | 13 a 15 | 34 ou mais |
| 2 | 3 | 4 a 5 | 7 a 10 | 10 a 12 | 24 ou mais |
| 1,5 | 2 | 2 a 3 | 3 a 6 | 5 a 9 | 12 ou mais |
| 1 | 0 a 1 | 0 a 1 | 0 a 2 | 0 a 4 | qualquer coisa abaixo |
Para quem está olhando um edital que ainda fala em 90 ou 100 pontos, a ETS foi além e recomendou às instituições uma equivalência direta, que vale como referência enquanto a secretaria do seu programa não atualiza o texto.
| Se o edital pede | A ETS recomenda exigir |
|---|---|
| 100 | 5 |
| 90 | 4,5 |
| 80 | 4 |
| 70 | 3,5 |
MyBest, a nota que junta as suas melhores partes
Junto com o resultado do dia, o relatório traz o MyBest, que é a maior nota que você tirou em cada parte considerando qualquer prova feita nos últimos dois anos.
Na prática isso significa que, se você tirou 5,0 em leitura numa tentativa e 5,0 em fala em outra, o relatório mostra as duas juntas mesmo que você nunca tenha conseguido as duas no mesmo dia. A nota geral do MyBest sai da média dessas melhores. Vale confirmar no edital antes de contar com ele, porque nem toda instituição aceita.
Quem corrige cada parte da prova
Depende da parte, e a resposta envolve tanto um programa de computador quanto gente de verdade.
| Parte da prova | O que você faz nela | Quem dá a sua nota |
|---|---|---|
| Leitura e escuta | Responde perguntas com alternativas | Só o computador, conferindo o gabarito |
| Montar a frase | Coloca os pedaços de uma frase na ordem certa | Só o computador, conferindo o gabarito |
| As duas tarefas de escrita | Escreve um e-mail e um texto de opinião | Um programa da ETS avalia todas as respostas, e uma pessoa entra em parte delas |
| As duas tarefas de fala | Repete frases que ouviu e responde perguntas falando | Um programa da ETS avalia todas as respostas, e uma pessoa entra em parte delas |
Em que situação uma pessoa entra
A ETS acompanha o programa em tempo real e aciona um avaliador humano em duas situações. A primeira é quando o programa fica inseguro sobre a própria nota, o que costuma acontecer com resposta fora do comum, problema no áudio ou estrutura muito diferente do esperado. A segunda é por sorteio, numa amostra conferida de tempos em tempos para verificar se o programa continua acertando.
Fora esses dois casos, se a sua resposta for comum e o programa tiver segurança na nota que atribuiu, ela não chega a passar por ninguém.
Essa regra mudou com a prova de 2026, porque na versão anterior toda resposta falada recebia nota de uma pessoa e do computador. Como a mudança é recente, você encontra informação contraditória na internet, e boa parte dela descreve uma prova que não existe mais.
O que separa uma nota da outra
A ETS publica os guias de correção completos em PDF, de graça, e vale muito a pena abrir pelo menos uma vez, porque ali está exatamente o que você precisa demonstrar para subir de nota. Estão em inglês, então traduzi o essencial logo abaixo.
Na escrita
| Nota | O que a ETS espera ver |
|---|---|
| 5 | Você sustenta as suas ideias com explicação de verdade, varia a construção das frases e escolhe as palavras com precisão. Quase não há erro, fora os deslizes que qualquer pessoa comete escrevendo contra o relógio |
| 4 | A explicação é suficiente, as frases têm alguma variedade e as palavras são adequadas, com poucos erros pelo caminho |
| 3 | A explicação tem buraco em algum ponto, porque falta uma parte, ou ficou confusa, ou não vem ao caso. A variedade é moderada e aparecem erros que o leitor percebe |
| 2 | A explicação é curta demais ou escapa do assunto, o repertório de frases e de palavras é pequeno e os erros se acumulam |
| 1 | Quase não existe explicação, as frases são curtas e desconexas, os erros são graves e frequentes, e boa parte do que está escrito foi copiado do enunciado |
| 0 | Resposta em branco, fora do tema, fora do inglês ou copiada integralmente do enunciado |
Na tarefa de escrever um e-mail entra um critério que não existe no texto de opinião e que derruba muito brasileiro: as convenções sociais. O guia fala em educação, em registro e no jeito de fazer um pedido, uma recusa ou uma crítica.
O problema é que em português a gente resolve isso com entonação, e o inglês resolve com estrutura. Dizer "me manda o arquivo" soa neutro aqui, enquanto a tradução ao pé da letra, send me the file, soa grosseira lá. O que se espera é could you send me the file, ou algo como I was wondering if you could send me the file. Isso não é preciosismo de professor, está escrito no critério de nota 5.
Na fala
| Nota | O que a ETS espera ver |
|---|---|
| 5 | Você responde a pergunta por inteiro e desenvolve a resposta, mantendo um ritmo de conversa em que as pausas soam naturais. A pronúncia é fácil de acompanhar, e a gramática e o vocabulário dão conta de dizer exatamente o que você quer |
| 4 | A resposta está lá e é desenvolvida, ainda que falte conectar melhor uma frase na outra. O ritmo é bom, com pausas que atrapalham pouco, e uma palavra ou outra exige algum esforço de quem escuta |
| 3 | Você responde, mas desenvolve pouco. As pausas longas e frequentes deixam o ritmo picado, o enchimento de linguiça aparece o tempo todo e a pronúncia às vezes atrapalha o entendimento |
| 2 | A resposta mal se conecta à pergunta, quase não traz explicação e às vezes só repete as palavras da própria pergunta. Entender fica difícil |
| 1 | Sobram poucas palavras aproveitáveis |
| 0 | Sem resposta, totalmente incompreensível, ou apenas um "I don't know" |
Na tarefa de repetir frases a escala funciona de outro jeito: a nota 5 exige repetição exata, a 4 aceita uma mudança pequena que não altere o sentido, e daí para baixo o que conta é quanto da frase original sobreviveu.
O seu sotaque não vai te prejudicar
Repare no que o guia de fala diz e, principalmente, no que ele não diz. Ele fala em pronúncia fácil de acompanhar, em ritmo e em entonação que ajudam a transmitir o sentido, mas em nenhum momento fala em soar nativo, perder o sotaque ou imitar um americano.
O que de fato conta contra você é pausa, hesitação e travada, tanto que a descrição da nota 3 diz com todas as letras que pausa longa e frequente deixa o ritmo picado.
Isso inverte a prioridade de boa parte dos alunos que eu atendo, que passam semanas tentando apagar o sotaque e nenhum minuto treinando falar sem parar no meio da frase.
Dá para avaliar o seu próprio material?
Em parte, e vale saber exatamente onde a conta fecha e onde ela não fecha, para você não perder tempo tentando fazer o impossível.
O que você consegue conferir sozinho
Tudo aquilo que se verifica por fora, sem precisar julgar a qualidade do seu inglês. Esta lista funciona e eu recomendo transformá-la numa rotina depois de cada simulado:
- Usei o tempo todo? Se você tinha 45 segundos e parou aos 20, produziu menos conteúdo do que podia, e conteúdo é uma das coisas que o sistema mede.
- Eu expliquei ou apenas afirmei? Procure, em cada ideia que você defendeu, uma explicação, um exemplo ou um detalhe que a sustente. Quando você não encontra nenhum, está no território da nota 3.
- Copiei frases do enunciado? Coloque os dois textos lado a lado e compare, porque a descrição das notas mais baixas menciona explicitamente a resposta que se apoia na língua do enunciado.
- Respondi o que me perguntaram? Fugir do assunto derruba mais do que errar a gramática.
- No e-mail, cobri os três pontos pedidos e pedi as coisas com jeito?
- Na fala, quantas vezes eu travei? Grave, escute e conte uma por uma, porque estimativa de cabeça sempre sai menor do que a realidade.
O que você não consegue conferir sozinho
- Erro de gramática e de uso de palavra. Ninguém enxerga o próprio erro, porque, se enxergasse, não teria cometido. Esse é o seu ponto cego por definição.
- Precisão de vocabulário. O critério de nota 5 fala em escolha precisa e idiomática de palavra, e para julgar isso você precisaria saber qual é a palavra certa, que é justamente o que está faltando.
- A avaliação do conjunto. Os guias de correção são holísticos, ou seja, a nota nasce de uma impressão geral e não de uma soma de itens, e você não tem distância suficiente do próprio texto para formar essa impressão.
Vale pagar pela revisão de nota?
A ETS permite que você peça revisão da nota de fala ou de escrita, e isso custa US$ 80 por seção, uns R$ 413 na cotação de outubro de 2026, ou R$ 826 se você pedir as duas.
Para decidir se compensa, dá para usar um teste que a própria ETS fez e publicou. Eles separaram milhares de respostas, mandaram duas pessoas corrigirem cada uma e depois compararam duas coisas: o quanto a nota do computador bate com a das pessoas, e o quanto as pessoas batem entre si.
| Se a nota que te decepcionou foi em | Vale pagar a revisão? | Por quê |
|---|---|---|
| Escrita | Provavelmente não | O computador e uma pessoa chegam praticamente à mesma nota, então você estaria comprando uma segunda opinião quase idêntica à primeira |
| Fala | Talvez | Aqui duas pessoas concordam bastante entre si e bem menos com o computador, o que abre espaço real para um ouvido humano notar algo que o programa deixou passar |
Os números, para quem quiser conferir: na escrita, computador e pessoa batem em 0,86, enquanto duas pessoas batem em 0,85. Na fala, duas pessoas chegam a 0,96, e o computador fica em 0,89 com elas. Quanto mais perto de 1, mais as notas coincidem.
Vale deixar claro que essa leitura da tabela é minha e não da ETS, que publicou os números sem dizer nada a respeito de revisão de nota.
Quatro coisas para mudar no seu treino
Todas saem direto dos critérios que acabamos de ver.
1. Fale até o fim do tempo
A velocidade da fala e o tamanho dos trechos sem pausa entram na conta, de modo que uma resposta encerrada aos 15 segundos quando você tinha 45 não passa a impressão de objetividade, e sim de pouca coisa dita.
2. Desenvolva a ideia em vez de alongar o texto
O primeiro item do guia de escrita pergunta se você explicou bem aquilo que afirmou, e desenvolver não quer dizer escrever mais: quer dizer acrescentar uma explicação, um exemplo concreto ou um detalhe que sustente a afirmação. Uma resposta curta e bem explicada passa na frente de uma longa e vaga.
3. Não copie frases do enunciado
A descrição das notas baixas menciona a resposta que se apoia na língua do enunciado, e a nota 0 inclui a cópia integral. O programa mede justamente o quanto o seu texto se parece com o texto da pergunta.
4. Peça as coisas com jeito no e-mail
As convenções sociais entram no critério de nota 5 dessa tarefa, e é por isso que could, would e as fórmulas de pedido merecem um treino específico.
E uma coisa para não fazer
Não force um nível que ainda não é o seu, porque palavra difícil que você não domina, frase complicada que acaba em erro e tom formal demais cobram um preço alto. Os erros de gramática e de uso de palavra entram na conta, enquanto a sofisticação que você tentou e não acertou não entra.
Perguntas frequentes
Qual nota do TOEFL equivale a B2?
Nota 4,0 ou 4,5. Para C1, você precisa de 5,0 ou 5,5, e para C2, de 6,0. A equivalência vale igual para cada parte da prova e para a nota geral.
Qual é a nota máxima do TOEFL?
A nota 6,0, tanto em cada parte quanto no resultado geral. Na escala antiga, usada até janeiro de 2026, o máximo era 120.
Meu edital pede 90 pontos. Quanto é isso na escala nova?
A própria ETS recomenda às instituições tratar 90 como 4,5, 100 como 5,0, 80 como 4,0 e 70 como 3,5. Como o relatório ainda traz as duas escalas durante dois anos, você provavelmente consegue atender ao edital do jeito que ele está escrito, mas confirmar com a secretaria do programa continua sendo o caminho mais seguro.
Como a nota geral é calculada?
Pela média simples das quatro notas, arredondada para o meio ponto mais próximo, com todas as partes pesando igual.
O TOEFL é corrigido por inteligência artificial?
Em parte. A leitura, a escuta e a tarefa de montar frases são conferidas por gabarito, sem que ninguém julgue nada. Nas duas tarefas de escrita e nas duas de fala, um programa da ETS avalia todas as respostas e uma pessoa entra em parte delas.
Alguma pessoa lê a minha redação?
Não necessariamente. A pessoa entra quando o programa fica inseguro sobre a própria nota e também numa amostra sorteada para conferência, de modo que uma resposta comum avaliada com segurança pode não passar por ninguém.
Onde eu vejo os critérios oficiais?
Nos guias de correção que a ETS publica de graça em PDF, de escrita e de fala. Estão em inglês, e eu traduzi o essencial dos dois neste artigo.
O que é o MyBest?
É a maior nota que você tirou em cada parte considerando qualquer prova feita nos últimos dois anos, ainda que as melhores sejam de dias diferentes. Ele vem no seu relatório, mas nem toda instituição aceita, então confira no edital.
A nota é diferente no Home Edition e no centro de testes?
Não. A nota é reportada na mesma escala e vale o mesmo nos dois formatos, e a escolha entre eles se decide por aceitação, custo e risco técnico, que é o que eu comparei em TOEFL em casa ou presencial: qual escolher.
A escala, a conversão para a nota antiga e a equivalência recomendada aos editais vêm da página oficial da ETS sobre a mudança de escala. As regras de correção vêm do manual técnico publicado em outubro de 2025, e os critérios, dos guias de correção de escrita e fala. Tudo público, tudo em inglês, e as traduções são minhas.